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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Documentário: Projeto “Women Are Heroes”

“Em tempos de paz, mulheres são discriminadas. Em tempos de guerra, elas são o alvo.”
No projeto "Women are Heroes", o fotógrafo JR decidiu retratar alguns dos mais terríveis lugares para se viver, onde pessoas resistem às mais variadas dificuldades e onde nenhum guia turístico alguma vez se atreveria a levar-nos.
Bastante impressionado com as situações de conflito nas áreas mais pobres e violentas do mundo, o fotógrafo francês JR decidiu conhecer de perto e documentar a vida de grupos de mulheres incrivelmente corajosas e tornar público suas histórias horrendas, além da indescritível capacidade de luta e superação que habita cada uma delas. A partir daí concluiu: as mulheres desses lugares são verdadeiras heroínas.
Pelos mais inóspitos locais, filma os rostos heróicos de mulheres com um passado sofrido, para quem as lágrimas e o riso se misturam e a coragem e a esperança são uma constante forma de sobrevivência. 
Desde as favelas do Rio de Janeiro até às paisagens áridas do Quénia, pelas ultrapovoadas ruas da Índia e ou pelo Camboja, um olhar diferente que revela lutas diárias. E ao procurar o que é comum nos seus rostos e olhares, o artista tentou encontrar a essência da humanidade.
Circulando em meio aos motins nos bairros pobres do Quênia até os incontáveis relatos de assassinatos de bandidos e pessoas inocentes na guerra do tráfico nas favelas do Rio de Janeiro, passando pelas vítimas da violência ainda em consequência da guerra civil no Camboja e tantas outras situações extremas em países pobres como Serra Leoa, Libéria e Sudão, JR observou uma característica em comum entre as mulheres que enfrentam realidades tão adversas. 
 Através de suas lentes, conseguiu traçar um paralelo entre essas histórias, além de mostrar para as próprias comunidades os registros através de lambe-lambes posicionados em lugares estratégicos. Ele conta: “fomos até esses lugares conhecer mulheres que lutam pela sobrevivência, que passam por muitos problemas e cujas vidas são muito duras. Todas queriam dividir suas histórias, e quando as escutávamos, pensávamos: ‘nossa! Essa pessoa deve estar morta por dentro.’ Mas daí pedíamos que fizessem pose para a foto, e o que enxergamos foi VIDA! Então eu disse: ‘vou voltar aqui e e expor a sua foto pra que você e toda comunidade possam ver”.
Com material filmado enquanto fotografava ou entrevistava aquelas mulheres, JR criou assim um documentário comovente que acabou selecionado para a semana da crítica na edição de 2010 do Festival de Cannes.


Karol Almeida
Fotos: Google

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Entrevista: Raíla Melo

Olá...
Sessão nova no blog: Entrevistas. Vamos começar conhecendo: 

Raíla Melo

Raíla Melo, Fotógrafa, dona da loja virtual "Meus Acessórios", estilosa, autêntica. Largou um emprego fixo, carteira assinada, plano de saúde, para se dedicar a fotografia. No início, surgiu aquela preocupação, mas com calma, ela conseguiu alcançar seu objetivo, e hoje trabalha com o que ama. Na entrevista ela fala sobre sua profissão, suas tatuagens, e o principal: suas escolhas.


Momento Mulherzice: Raíla, como foi para você sair de um emprego de carteira assinada e assumir a profissão de fotógrafa, que é autônoma? Quais os motivos na época te levaram a acreditar que daria certo?


Raíla: Não foi fácil, mas desde quando entrei nesse emprego meu objetivo era comprar meus equipamentos e sair do emprego. Só que eu tinha uma estabilidade e não era feliz. A fotografia ainda não me dava retorno suficiente para viver sozinha. Sou do tipo de pessoa que demora a tomar uma decisão, mas quando resolvo, é para não voltar atrás.  Preferi ser feliz do que ter uma estabilidade. 


Mm: Foi muito difícil? O que seus pais acharam?

  
Raíla: No começo uma loucura. Meu pai ficou com medo, pois eu não ia ter convenio médico, podia passar dificuldade e a fotografia ainda não dava retorno suficiente. Então continuei durante um tempo e quando eles viram que eu estava infeliz e adoecendo sempre me apoiaram. Com o apoio deles e do meu namorado que sempre me apoia eu me senti mais segura para sair e hoje eu pago meu convenio e outras contas que não pagava na época que tinha trabalho com carteira assinada, eles me apoiam muito e viram que eu não me acomodei. Na verdade foi um passo pra eu correr mais atrás dos meus objetivos. 


Mm: Hoje em dia muitas pessoas acham que são fotógrafos, apenas por terem comprado uma câmera. Você acha que esse mercado ficou saturado? O que fazer para não se tornar apenas mais um?


Raíla: Sim. Muito saturado. É uma pena. Na verdade várias profissões estão assim. Não tem como você ter controle se vai se tornar mais um ou não, mas acredito que só quem ama realmente a profissão vai ter sucesso. É um caminho árduo, pois sem equipamento você não consegue trabalhar e quanto mais conhecimento mais exigente nós ficamos em relação a isso.  E nada é barato.  Já muitos desistirem e até eu pensei nisso, mas quando olho pra frente não me vejo fazendo outra coisa e estou sempre procurando fazer tudo com mais amor, pois o cliente sente quando você está feliz fazendo o que ama e na fotografia isso é importante, pois você é contratado para registrar os momentos mais importantes. Tem cliente que se emociona quando vê as fotos e isso significa que você conseguiu faze-lo reviver todo o momento. Procurar conhecimento e estudar também é importante. O importante é sempre manter o foco, em todos os sentidos (risos).


Mm: Quando você resolveu abrir a loja Meus Acessórios? Foi algo que já vinha sendo pensando anteriormente, ou você viu que estava dando certo para o mercado, e resolveu tentar também?


Raíla: È uma longa história, mas nem parece! Eu sempre amei acessório e a fotografia.  Mas como ainda não tinha dinheiro para investir na fotografia eu sempre vendia acessórios na escola, cursos e quando arrumei um trabalho fixo eu parei um pouco, mas sempre estava vendendo uma coisinha ou outra. Era mais físico. Quando resolvi largar meu emprego eu tinha consciência que a fotografia não ia dar um retorno no inicio. Então tirei férias peguei o dinheiro fiquei em casa e comprei um monte de acessórios.  Coloquei na internet e começou a crescer aos poucos. Fui tentando deixar cada vez mais profissional e estou dando um passo de cada vez para não errar. Adoro muito a loja, tudo que eu compro é como se fosse pra mim. Sempre quando vejo alguma coisa fico empolgada para comprar logo e postar as fotos.  Faço tudo com muito amor e carinho porque trabalho com fotografia para minha loja também. Consegui unir duas coisas que eu amo! Quando recebo um elogio vejo que estou no caminho certo e procuro ser cada dia melhor para minhas clientes. Sei que elas também sentem meu carinho e cuidado com a loja. Um dia quero ter meu espaço físico, mas como eu disse. Um passo de cada vez!





Mm: Sobre suas tatuagens. Quando começou? Qual foi a sua primeira tatuagem?


Raíla: Comecei com 17 anos (risos).  Minha primeira tatuagem foi nas costas e depois disso não consegui parar. Desde primeira eu queria ficar toda tatuada. Adoro!

Mm: Qual o motivo para fazer sua primeira tatuagem?

Raíla: Eu sempre gostei da arte e meus desenhos são coisas que eu gosto e achava bonito. Não procurava ter um significado para cada uma, queria tatuar, pois acho esteticamente lindo! As únicas que tem “significado” são as escritas.




Mm:Você ainda sofre algum tipo de preconceito por  ter tantas tatuagens?



Raíla: Muitoooooooooooo. Acho que isso nunca vai mudar. Tenho até medo de quando tiver um filho. Vai ser tenso! As pessoas ainda ligam a tatuagem ao caráter da pessoa. Muitas já falaram assim  “Nossa você é tão meiga e cheia de tatuagens.”  Eles têm mania de achar que todas as mulheres tatuadas são loucas.  Não podem ser trabalhadoras, cheias de sonhos e femininas. Acham que não podemos ter outra profissão sem ser tatuadora.  Não me arrependo delas, mas ás vezes tampa um pouco para não ter que responder perguntas idiotas e aguentar olhares preconceituosos. Claro que algumas pessoas chegam elogiando, mas é raro. Eles não entendem que eu faço pra mim porque eu gosto. Acham que queremos aparecer de alguma forma. Quem sabe um dia isso acaba?


Mm: Você é muito estilosa e autêntica. Quais são as suas maiores influências?

Raíla: Muito obrigada por me achar estilosa e autêntica. Tudo aconteceu naturalmente. Quando tinha 13 anos falei com minha mãe que queria mudar todo meu guarda roupa e pedi umas roupas novas de aniversário, com o tempo fui criando meu estilo e muitos falavam que eu era uma paty revoltada, mas nem me importava, pois não foi uma fase. Claro que com o tempo eu fui ficando mais feminina e amadurecendo algumas ideias, mas visto o que me deixa bem e confortável e ás vezes sigo algumas modas que combinam comigo. Sempre passamos por algumas fases para chegar a um estilo que nós gostamos e mesmo assim quando olho fotos antigas penso “Não acredito que eu usava isso”. Mas levo isso como amadurecimento. 

Líndissima a Raíla, né?  Adorei. Agradeço muito a entrevista.

Se você tem uma história ou conhece alguém que tenha e queira ver a entrevista aqui envie sua sugestão para karolmulherzice@gmail.com

Beijos e até a próxima... 

Karol Almeida